Castelos

 

O concelho de Vila Nova de Foz Côa, onde prosperou a civilização castreja cujas reminiscências permanecem na orografia e na patronímia do seu território, possui diversos monumentos de vigia e defesa, entre eles os interessantes castelos de Castelo Melhor, Castelo Velho (de Freixo de Numão) e Numão.

 

Entre eles, nenhum é igual a outro, nem quanto à época da sua construção originária, nem quanto à disposição das suas muralhas e torres, bem se podendo dizer que, na sua diversidade, são testemunhos preciosos de diversos momentos da história. Aquelas pedras, aqueles torreões, já desafiaram os tempos e os sonhos de muitas gerações, quer neles se resguardando, quer sobre eles, após a sua conquista, hasteando bandeiras e pendões.

 

Se porventura outros valores à sua volta não houvesse, os castelos fozcoenses merecem uma visita sossegada. Aliás, para além do que eles próprios nos significam, acabam por nos oferecer panoramas dos mais extensos e belos da região alto-duriense.

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Castelo Melhor

 

Considera-se que este castelo tenha sido erguido entre os séculos IX e X, no denominado "período Leonês". Visto de longe, parece uma coroa de rei plantada num cabeço da terra. A planta é quase circular, rodeando o cabeço onde se encontra implantado. Testemunha silenciosa de um passado milenar, a sua porta é em arco quebrado. No interior do castelo pode ser vista uma cisterna. Quando nele vier a ser feita uma prospecção arqueológica, que se justifica, é bem provável que ali se venham a encontrar diversas estruturas medievais enterradas, bem como uma necrópole tardo-medieval ao longo do pano interior da sua muralha. Impõe-se, por outro lado, por quanto se afigura, que se façam igualmente prospecções arqeológicas na zona exterior envolvente.

 

Castelo Velho

 

Trata-se de um lugar imponente, não apenas como "sítio arqueológico" mas também como miradouro.

 

Neste espaço têm decorrido campanhas sucessivas de escavação, que já permitiram estudar a existência de um povoado dos III e II milénios A.C. (Idades do Cobre e do Bronze). Na opinião dos arqueólogos Prof. Drª Suzana Jorge e Dr. António Sá Coixão, ali tanto poderia ter havido um povoado fortificado ou ser apenas um sítio monumentalizado, questões que os investigadores têm vindo a colocar, por enquanto sem uma explicação cabal quanto às funções de tão ancestral símbolo da presença humana na região.

 

A visita ao local acaba por ser premiada pela beleza e grandeza do panorama que dali se desfruta.

 

Numão

 

Em 960, o castelo de Numão pertencia, juntamente com outros, a D. Châmoa Rodrigues que o doou ao convento de Guimarães, através de sua tia, a Condessa Mumadona. Deve, entretanto, ter sido ocupado pelos mouros, pois, segundo alguns, Numão terá sido reconquistado por Fernando I, o Magno, de Leão, em 1055. A sua planta é de configuração irregular e quase não apresenta ameias; possui três portas (a do Poente, a do Arco e a de S. Pedro), torre de menagem e mais quatro torres.

 

O castelo primitivo deve ter sofrido bastante nas lutas com os mouros, levando a que nele se realizassem obras de melhoramento, em 1189, no reinado de D. Sancho I. Vestígio ainda dessa época - século XII - é um Cristo de bronze esmaltado, de Limoges, que pode ser apreciado em Numão e testemunhará a presença de cruzados franceses nas lutas contra o Islão.

 

A Igreja de Santa Maria, construída dentro do castelo e hoje em ruínas, apesar de tantas adulterações sofridas ao longo dos tempos, mostra bem a sua traça românica. Extra-muros existe uma Necrópole com sepulturas cavadas na rocha, junto às ruínas da antiga Capela (ou igreja) de S. Pedro. É monumento nacional, conforme Decreto-Lei de 16/6/1910.