Freguesia de Muxagata

No termo da freguesia de Muxagata, essencialmente entre a Quinta das Olgas e a foz da ribeira de Piscos (no encontro com o rio Côa), encontramos vestígios da pré-história e romanização. Gravuras rupestres do Paleolítico Superior (na ribeira de Piscos) e vestígios intensos de Romanização na Quinta de Santa Maria, Quinta dos Piscos e Quinta das Olgas.

Na área urbana da actual freguesia, o lugar do Castelo poderá levar-nos a referenciar, como acontece noutras freguesias do concelho, um antigo povoado da Idade do Ferro (vulgo Castro) e ainda de ocupação dos primeiros séculos da nossa era.

Sobre o longo período Medieval, melhor que as nossas palavras serão certamente os registos que o Dr. Manuel Gonçalves da Costa deixou na sua obra «História da Diocese de Lamego» que passamos a citar:

«A Paróquia constituiu um dos herdamentos do célebre Braganção, Fernão Mendes, na 1ª metade do século XII, portanto dentro do termo de Numão até conseguir autonomia administrativa em data incerta. A primeira referência ao concelho de Muxagata encontra-se no documento de extinção da Ordem dos Templários, publicado por D. Dinis. Mário Guedes Real é de parecer que o privilégio de isenção se deve a D. Afonso III, em cujo reinado proliferou a organização municipal por imperativo da associação dos povos em volta da paróquia. Por nossa parte, estamos convencidos de que o chamado «foral velho» não é outro senão o de Sernancelhe, de 1124, estendido a Muxagata por D. Afonso IV, por cédula emitida a 30 de Abril de 1357. Teve foral novo outorgado por D. Manuel, aos 20 de Dezembro de 1519.

Ao efectivar a doação desta igreja aos Templários, Fernão Mendes manteve-a inclusa na comenda de Longroiva, à qual ficava a pagar os dízimos, e nessa situação se manteve até à extinção da Ordem, em 1319, passando depois à Ordem de Cristo pela Mesa da Consciência e Ordens. (...)

Em ordem à feitura do foral novo, el-rei D. Manuel mandou proceder a inquirições sobre os toros pagos por costume antigo e verificou o seguinte: todos os que lavravam a terra davam uma jugada de 4 alqueires de trigo estreme, obrigação que não se estendia aos possuidores de cavalo de marca ou égua «com suas armas hordenadas», nem aos novos lares durante os três primeiros anos de casados. Os maninhos pertenciam ao concelho, mas onerados em 317 reais a favor da coroa; o gado do vento era da Ordem, bem como a pensão do tabelião, arbitrada em 60 reais. O monarca urge o cumprimento do contrato estabelecido entre esta comenda e a de Longroiva, e proíbe o comendador, quando residir na terra, de obrigar os moradores a fornecer-lhe pão, vinho, carne, aves, palha, legumes e quaisquer outros géneros; ou de utilizar as suas bestas, carros e pessoas; todas estas coisas ser-lhe-iam fornecidas pelos oficiais do concelho ao preço corrente na região.

Da iniciativa particular, merece honrosa referência o hospital instituído na sua própria casa por um certo Álvaro Dias, facto que lhe mereceu a isenção do pagamento de peitas e outros encargos concelhios, por carta real emitida a 26 de Abril de 1482. Há também notícia duma fonte mineral a cerca de meia légua da vila.

O actual orago da matriz, Santa Maria Madalena, constitui um dos casos de substituição, verificados nos fins do século XVI, nas igrejas medievais dedicadas a Nossa Senhora sob a designação de Santa Maria.»

Citando agora o Dr. Adriano Vasco Rodrigues, na sua obra «Terras da Meda - Natureza e Cultura» (1983), sobre a Ordem de Cristo:

«RENDIMENTOS DA ORDEM DE CRISTO NO SÉCULO XIV

Em 1331 as taxas dos rendimentos das Igrejas da Ordem de Cristo eram assim tributadas: São Bento da Meda - 130 libras; Fonte Longa e Santa Comba (anexas de Longroiva) 200 libras; Longroiva, 350 libras; Muxagata (anteriormente ligada a Longroiva), 300 libras. (...) No reinado de D. João ll, a propósito da obrigação de todos concorrerem para o restauro e ampliação do castelo de Bragança, aquele rei isenta os de Longroiva e declara que os moradores de Longroiva, Meda e Muxagata de que ora é Comendador o fidalgo MARTINS MENDES DE VASCONCELOS não serão prejudicados nos seus privilégios nem as vilas doadas a ninguém mas continuariam na posse da Coroa, obedecendo só ao Rei. As populações preferiram a administração régia às prepotências dos nobres ou das ordens, que os exploravam com impostos e requisições de géneros e de trabalhos.»

Muxagata era comenda de Santa Maria Madalena da Ordem de Cristo e foi dada no século XVII a D. António de Ataíde que dela recebia 800 réis de rendimento. Tal como Freixo de Numão e Vila Nova de Foz Côa, Muxagata tinha entre os seus residentes inúmeros judeus que se ocupavam, sobretudo, de actividades mercantis ou se dedicavam aos ofícios. Em 1836 Muxagata foi, finalmente, anexada ao concelho de Vila Nova de Foz Côa.


Elementos Demográficos

População

406

Área

2.736 Ha

muxagata

Festas e Romarias

S. Sebastião

20 de Janeiro

Santa Maria Madalena

Agosto

Orago

Santa Maria Madalena

Junta de Freguesia de Muxagata

Presidente
Alcino Matias Correia (P.S.D.)

Secretário:

Tesoureiro:

Morada:
5150-331 MUXAGATA - VLF

Tel.: 279 762 020
Fax:  279 762 020

E-mail
fmuxagata@gmail.com

Contactos

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